
Final de ano é época de desapego e, pensando nisso, a Fundação Guamá e as startups Combinô e TexBi, com apoio do Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, pretendem arrecadar 500 quilos de tecidos entre roupas e resíduos que iriam para o lixo. A campanha “O que circula transforma” começa nesta terça-feira (27), e vai até o dia 27 de novembro. A coleta será realizada no prédio Espaço Inovação, no PCT, das 8h às 17h.
Serão dois coletores: um para roupas que, após higienização e separação, serão destinados à doação, e outro para resíduos têxteis, como retalhos e roupas que já não têm mais condições de uso. “A TexBi vai reaproveitar os resíduos têxteis doados tornando-os matéria-prima para a fabricação de materiais para arquitetura e design, e o Movimento Circulô irá fazer a doação de peças em bom estado para a comunidade em uma ação realizada no final do ano no PCT”, explica a CEO da Combinô-TexBi, Beatriz Ornelas.
Cada pessoa que for doar deve seguir as instruções disponíveis no próprio coletor. O registro da doação é feito por meio de QR Code (ou do totem digital disponível no local), uma forma de garantir a rastreabilidade do material doado. “No geral, a pessoa preenche suas informações pessoais e, em seguida, registra a doação com o tipo de resíduo que está doando e o peso. Depois disso, ela tira uma foto da doação para comprovar a entrega, assina o termo de doação e finaliza”, explica a empreendedora.
Além da redução do impacto gerado pelo descarte dos resíduos, a campanha tem o objetivo de conscientizar as pessoas sobre consumo consciente a partir do Movimento Circulô, com atividades voltadas para as comunidades do entorno do Parque.
Meia tonelada de produtos têxteis será reaproveitada
Dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) apontam que a cadeia têxtil e de confecção faturou cerca de R$ 221 bilhões em 2024, além de gerar mais de 1 milhão de postos de trabalho diretos e outros 8 milhões indiretos, sendo o setor de confecção o segundo maior empregador da indústria de transformação, atrás apenas do setor de alimentos.
No entanto, a produção de roupas, por exemplo, exige um grande volume de água, com consumo global estimado em 4% da captação mundial de água doce.
Na outra ponta, o descarte gera cerca de 92 milhões de toneladas de resíduos por ano, o que significa que apenas cerca de 20% desse total é reciclado ou reaproveitado.
“Por isso, entendemos ser fundamental essa parceria, porque a Fundação Guamá, enquanto produtora de ciência e tecnologia, busca constantemente aprimorar sua gestão e desenvolver estratégias, inclusive tecnológicas, que minimizem impactos ambientais”, explica a gerente de Inovação e Propriedade Intelectual, responsável pela articulação institucional da campanha, Aline Casemiro.
Como doar
Pessoas interessadas em apoiar a campanha - seja com roupas, sapatos e acessórios para doação, ou com resíduos têxteis para reciclagem - devem se dirigir ao Espaço Inovação, no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, das 9h às 17h, cadastrar-se no sistema waytex.com.br e depositar o material em um dos coletores. Vale lembrar: o coletor vermelho é para roupas em bom estado de uso e o azul, para resíduos.
“Toda placa sabe de onde veio”: Todo material doado pode ser cadastrado no sistema da campanha em waytex.com.br, o que garante a rastreabilidade do produto final. Assim, cada lote produzido é registrado, conectando a origem do produto do galpão da indústria até o projeto final.
Ecossistema de inovação e sustentabilidade
Maior ecossistema de inovação da Amazônia, o PCT Guamá é o primeiro parque tecnológico da região e conta com mais de 100 iniciativas vinculadas à sua rede, entre laboratórios, empresas e instituições governamentais, como universidades e institutos de pesquisa. “A diversidade de agentes envolvidos no ecossistema do Parque é tão grande que isso facilita a mobilização de soluções para problemas reais, que impactam diretamente o cotidiano das pessoas”, destaca o professor João Weyl, diretor-presidente da Fundação Guamá, responsável pela gestão do PCT.
Obra do governo do Pará, por meio da Secretaria de Ciência e Tecnologia, em parceria com a Universidade Federal do Pará e a Universidade Federal Rural da Amazônia, o PCT está localizado na divisa entre os bairros da Terra Firme e Guamá, na Área de Proteção Ambiental da Região Metropolitana de Belém. “Nós estamos próximos de bairros com muito potencial humano de inovação e engajamento socioambiental. Muitos dos nossos pesquisadores e bolsistas são oriundos desses bairros, assim como muitos coletivos surgiram e atuam nessas localidades. Então, nossa intenção é somar nossos esforços às estratégias já existentes”, completa o diretor do Parque.
Texto: Kelvyn Gomes/ Ascom PCT
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