

“Eventos como esse são fundamentais para sensibilizar a população sobre a importância da doação de órgãos, promovendo a solidariedade e a conscientização de que um único gesto pode salvar várias vidas. Como hospital universitário que atende exclusivamente pelo SUS, temos o compromisso de fortalecer essa cultura e contribuir para ampliar as oportunidades de transplantes”, enaltece a diretora-geral dos HU-UEPG, professora Fabiana Postiglioni Mansani, que esteve presente durante todo o evento.
Segundo ela, foi um momento de profunda emoção e reconhecimento, que valorizou a generosidade das famílias doadoras e o legado de vida que seus entes queridos deixaram. “Gostaria de reforçar que a doação de órgãos é um gesto de amor e solidariedade capaz de transformar vidas. Por isso, é fundamental conversar com a família e manifestar esse desejo. Nosso complexo HUs reafirma seu compromisso com a vida, a humanização e os princípios de equidade e integralidade do SUS”, finaliza.






O momento marcante do evento é a decoração da Árvore da Vida. Cada doador é representado por uma folha, em formato de estrela, com corações que representam cada órgão ou tecido doado. Eles se uniram a centenas de estrelas na árvore do HU, que fica no saguão do Hospital em exposição permanente. A cerimônia é realizada desde 2017 e, em 2026, aconteceu pela primeira vez no AME.

“E o mais importante é que as pessoas conversem sobre isso com as famílias, tanto manifestando a vontade de ser doador como perguntando o que os familiares pensam sobre a doação, porque, no Brasil, é o familiar que autoriza a doação”, explica Thaiza Rebonato, responsável pela Seção Técnica Assistencial dos HU-UEPG.
A enfermeira que coordenada a Cihdott, Andriely Barbosa, reforça que somente ao reforçar ações educativas, ampliar o acesso à informação e conscientizar a população sobre todas as etapas do processo de doação podem ampliar os índices de aceite para a doação de órgãos. “Pois a falta de conhecimento, as dúvidas sobre os procedimentos, a dificuldade de compreender o diagnóstico de morte encefálica e o desconhecimento da vontade do possível doador podem tornar ainda mais difícil a decisão dos familiares”, completa.
“A morte não é nada…”
O poema de Santo Agostinho sobre a morte foi lido durante o evento. Acolhedor, ele nos faz refletir sobre a continuidade da vida e a conexão eterna entre as pessoas, mesmo em ausência física, mas com uma presença viva e com a identidade preservada. A família de Douglas Alves Brisky, um dos doadores homenageados, participou da cerimônia. A mãe do rapaz, a professora Rose Mara Alves, disse que foi um momento muito difícil, pois foi quando recebeu a notícia oficial da morte do seu filho. “Estávamos com o emocional extremamente abalado, sem condições de tomar decisões, e tudo precisa ser resolvido em um tempo mínimo, pois há outras vidas esperando por esse momento”, afirma.
Segundo ela, a equipe do HU foi muito acolhedora e carismática durante a abordagem, mas pôde perceber que eles também estavam apreensivos, tensos e muito tristes ao dar uma notícia que até hoje ela não acredita.



“Foi muito difícil tomar a decisão porque, em família, nunca tínhamos conversado sobre doação de órgãos. A minha decisão naquele momento se deu pela pessoa que meu filho foi em vida: humilde, alegre, bondoso, carismático, alguém que tirava de si para ajudar o próximo. Naquele momento também me preocupei em como meu filho ficaria com a retirada dos órgãos. Foram muitos questionamentos e uma decisão que precisou ser muito rápida”, conta Rose Mara.
Mesmo passando por esse momento difícil, ela e sua família participaram da homenagem. “Foi um momento de grande importância. Além das homenagens às famílias e aos doadores, o evento trouxe informações muito importantes sobre a doação de órgãos”, destaca. Segundo ela, o aceite é de extrema importância. “São pessoas esperando por esse momento para terem seu tempo de vida prolongado e uma nova chance de viver”, finaliza.
Texto e foto: Tierri Angeluci











































































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