
Uma diversidade de pesquisas acontece na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG): em uma sala, o professor analisa amostras no microscópio; em outra, a docente orienta alunos. Todos eles publicam trabalhos que são referência no Brasil. Com tanta inovacão e ciência, a instituição, por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesp), informa que as chamadas para bolsas produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) estão abertas. As inscricões ocorrem até 07 de janeiro de 2027, de forma on-line .
Os contemplados em 2026 são uma inspiração: Ivo Mottin Demiate; Rita de Cássia da Silva Oliveira; Rafael Mazer Etto; Roberto Ferreira Artoni; Milene Zanoni da Silva; Rosane Aparecida Ribeiro; Eduardo Fávero Caires e Luiz Gustavo Lacerda. Todos eles mostram que ser bolsista produtividade é um atestado de excelência. Para ser escolhido, dentre outros critérios, os comitês analisam o histórico acadêmico, o número de orientações concluídas (mestrado e doutorado), publicações em periódicos de alto impacto e a coordenação de redes de pesquisa. Para esses, o coração bate forte para a pesquisa:
Pesquisador multitarefa







Esse amadurecimento como pesquisador não veio do dia para noite, mas desde a graduação, nos anos 1990. “Fui bolsista de iniciação científica, também pelo CNPq, por quatro anos, investigando um grupo de peixe Cascudo”, relembra. Quando entrou no mestrado, foi incentivado a publicar os resultados do trabalho na graduação pelo orientador. “Eu fiquei em dúvida se eu tinha a capacidade de conseguir publicar, mas fui desafiado por esse meu professor”. A partir da primeira publicação, houve um rompimento: “ali eu vi da importância de você elaborar sua pesquisa e trabalhar nela”. Aquela semente plantada na época da graduação germinou: depois que entrou como professor na UEPG, pôde colaborar como diretor de pesquisa na Propesp e contribuiu para enraizar a pesquisa na iniciação científica. “Esse é um dos meus grandes orgulhos, pois conseguimos trazer mais bolsas para os alunos”, recorda. 
Dentro da sala 40 do Bloco M, pesquisando genética de peixes, ele colaborou com descobertas em outras áreas. “Uma das coisas que me dão orgulho foi colaborar numa pesquisa sobre diabetes tipo 2 frente à obesidade, em que utilizei a biologia evolutiva e as ferramentas de genética para entender questões de emagrecimento”, conta. A pesquisa colaborou para que a cirurgia metabólica no Brasil tivesse mais entrada na comunidade médica. O professor ainda destaca uma pesquisa que desenvolve com uma espécie de lambari que tem nas furnas do Parque Vila Velha, em Ponta Grossa. “Descobrimos que lá existe uma variação de peixes com deformação na coluna vertebral, que se adaptou a viver ali, e isso pode ajudar a estudar deformações na coluna vertebral humana”, salienta. Com tanto trabalho feito na região, não é por acaso que o homem que nasceu em São Paulo conquistou o título de cidadão honorário aqui em Ponta Grossa, placa que expõe com orgulho na parede do escritório. “Tenho muito carinho pela UEPG, foi aqui que construí minha carreira, e foi na cidade que estabeleci minha família. Só sei sentir isso, muito orgulho por tudo”.






Pesquisa que alinha a área de alimentos com o meio ambiente


Os resultados já são nítidos. Basta entrar no laboratório que há vários resultados na bancada: são os plásticos biodegradáveis, transparentes e com aparência do plástico convencional. Agora, o desafio é fazê-lo mais resistente e durável. “Estamos trabalhando nas modificações físicas. Colocamos esse amido numa suspensão aquosa, a ponto dele gelatinizar. Com essa modificação, a hora que ele retorna na temperatura normal, ele reorganiza a estrutura química dele e a gente consegue um grânulo mais funcional. Ou seja, quando a gente vai fazer o filme, ele fica um pouco melhor”. O esforço por sempre melhorar e publicar as descobertas é visto como algo compulsório por qualquer pesquisador, na ótica do professor. “Tem que ser rotina na vida do pesquisador sempre trabalhar para fazer um bom projeto e sempre buscar melhorar”, destaca. A chegada da bolsa do CNPq, segundo ele, ajuda melhorar a estrutura do laboratório. “Posso falar de coração que o mais importante não é o meu nome na lista dos bolsistas, mas é conseguir melhorar a estrutura para os nossos alunos, porque é essa a nossa função como pesquisador, a universidade é para os discentes”, destaca.
Com essas melhorias, Luiz Gustavo vê também a oportunidade de abrir uma janela para o mundo. “Eu consigo fazer contatos com outros pesquisadores, já consegui parcerias com um pessoal da Nova Zelândia e vou encontrar-los na China no mês que vem, então é por meio da pesquisa que a gente pode gerar algo útil para a sociedade de forma global”. A felicidade por conseguir a bolsa e poder contribuir para pesquisa também se reflete quando o docente menciona os seus alunos, orientandos da graduação, mestrado e doutorado. “No fim, o trabalho é sempre em equipe, a gente sempre conduz tudo com os discentes, e é muito bom envolvê-los neste trabalho, e fazer com que eles cheguem mais longe do que nós, é esse o objetivo no final das contas”, finaliza.
Texto e fotos: Jéssica Natal













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